sexta-feira, 4 de maio de 2018

AVALIAÇÃO E FRACASSO ESCOLAR: questões para debate sobre a democratização da escola




Maria Teresa Esteban
Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. Pesquisadora do Grupo Alfabetização dos Alunos e Alunas das Classes Populares (GRUPALFA). Revista Lusófona de Educação, 2009,13, 123-134

REFLEXÕES SOBRE UMA  ESCOLA DE QUALIDADE PARA TODOS

            Em um artigo longo e com uma linguagem específica para um determinado grupo, utilizando termos sofisticados,  a autora fala da luta  longa e constante por uma escola pública de qualidade para todos e que há uma abertura crescente às classes populares, mas que isso não ocorre de forma tranquila como eles desejam,   uma vez que  a  presença massiva dos sujeitos trazem múltiplas culturas. Diante disso, as propostas escolares não são bem aceitas,  criando o dilema entre   os princípios fundadores da escola  de Meirieu (2004) ou constituir novos princípios, que estejam de acordo com os diferentes contextos, projetos e características que perpassam a vida escolar cotidiana. A autora  afirma que o fracasso existente faz persistir no desafio de se criar uma escola democrática capaz de ampliar o conhecimento. Para ela a escola tem reconhecer que existe  a diferença entre os sujeitos, mas não deve aceitar a desigualdade como um fator promocional da invisibilidades desses sujeitos, dos conhecimentos e dos contextos em que vivem. As práticas escolares, hoje, universalizadas, tentam fazer acreditar que o mesmo conhecimento é repassado a todos. No entanto, esse processo nega aquilo que o aluno traz de suas vivências, como um conhecimento. Aceita-se a desigualdade, mas não a diferença, e  há uma negação da singularidade de cada um, tornando o sujeito invisível, ao conformá-lo aos demais. É a captura da alteridade citada pela autora e que deve ser reconhecido e assumido pela escola, ao repensar nos novos princípios de uma escola de qualidade para todos. A autora aponta que os objetivos fixos expressam aprendizagens hierarquizadas que reproduzem o outro, padronizando o ser que define a classificação, apagando as singularidades que não podem ser vistas no processo educacional. O sistema de avaliação, segundo a autora é um meio de dar legitimidade a um projeto excludente e invisibilizar a desigualdade como uma de suas principais características.  Ela aponta a insuficiência e desigualdade das condições   de escolarização, mas que  os parâmetros que conduzem a aferição dos desempenhos são uniformes e resultam na qualificação/desqualificação dos sujeitos. Ela lembra ainda que  o projeto de escola guarda princípios que devem ser ressignificados: a igualdade de direitos, a solidariedade, a participação e a liberdade.
            A autora convida a uma reflexão sobre  o que se pretende como êxito no discurso hegemônico e analisar  o discurso sobre o fracasso e os mecanismos escolares e sociais que o produzem numa perspectiva contra-hegemônica. Ela argumenta que é preciso tornar claro o que está nas entrelinhas dos discursos  e das práticas pedagógicas que são utilizadas para transformar as relações de poder em relações de saber. Esse proceso legitima  a negação, a destruição, a submissão, a produção do outro como uma reprodução de si mesmo,  o que a meu ver perpetua a subalternização. Ela conclue o artigo reforçando sobre a colonialidade do poder que  marginaliza os grupos sociais   e que os modelos estruturados da escola, hoje oferecem um conhecimento que  frisam isso.. Ela sugere uma avaliação consistente em que os sujeitos tenha voz e visibilidade, falando sobre si mesmos como participantes de processos coletivos e considerando seu desempenho como um  elemento relevante em determinados contextos.
            Excelente artigo! Deve ser lido e analisado por todo o público em geral por conter questionamentos profundos sobre os posicionamentos da escola diante das desigualdades existentes e suas práticas no reconhecimento das diferenças, e a falácia do conhecimento universalizado, que na realidade perpetua uma colonialidade de um grupo social

COMEÇAR PELO COMEÇO: O que temos que oferecer aos jovens?




Luiz Carlos de Freitas –
Professor titular da Faculdade de
 Educação da UNIC

A EDUCAÇÃO E O JOGO DE INTERESSES

            O texto  Começar pelo começo: o que temos que oferecer aos jovens? traz uma linguagem simples,  e se dispõe em paragráfos com uma progressão textual que facilita o entendimento. Trata do embate entre os educadores e os reformadores empresariais, sobre um sistema educacional de qualidade no país. Os reformadores empresariais defendem uma educação em que basta as matrizes de referências com seus testes de habilidade sobre o considerado básico do português, matemática e ciências, para a formação de mão de obra. Do outro lado, o autor apresenta os educadores como  profissionais empenhados em proporcionar uma educação de qualidade com toda a sua capacidade de desenvolvimento formativo, principalmente para as camadas populares que têm apenas uma oportunidade de frequentarem a escola. Essa decisão aceita que a escola forme cidadãos de segunda categoria ao ensinar apenas o básico e cidadãos de primeira categoria para quem o ciclo educacional se expande para além do básico, em escolas privadas. O autor aponta que a  situação, deve-se aos interesses dos empresários com o apoio da mídia que argumentam a não objetividade dos professores por serem ideólogos, e o contra ponto dos reformadores empresariais que se julgam objetivos e sem ideologias.
            O autor  aponta que em vários países a configuração da escolarização caminha para reservar as escolas públicas estatais para os pobres aprenderem mal o básico e as escolas privadas para os ricos. E para a classe média a criação de uma escola “pública não estatal intermediária, que possa  ir além do básico”. O autor finaliza afirmando  que isso “é muito diferente de uma educação de qualidade para todos”, e que os testes e indicadores educacionais têm cumprido sua função de esconder o debate qualificado sobre os fins da educação nacional. Sendo assim a educação de qualidade para as camadas populares é só uma promessa para o futuro.
            Excelente texto  que deve ser lido pelos profissionais da educação e por todos interessados, uma vez que esclarece sobre quem define os caminhos a serem tomados na elaboração das políticas públicas educacionais: os interesses em jogo e a posição da mídia, oportunizando posicionamentos. Entende-se que o texto traz uma panorâmica sobre o sistema educacional no país, e que atinge  principalmente aos menos favorecidos.

O JOGO E SUA CONTRIBUIÇÃO NA ÁREA EMPRESARIAL




            Em seu texto Gramigna (2007) esclarece que o jogo acompanha o homem desde os primórdios, de uma época que ainda não sabia falar e que por isso usava o jogo dos gestos e dos sons para se comunicar. O jogo de palavras teve seu início mais tarde quando descobriu a fala. Para a autora talvez esse tenha sido o primeiro jogo consciente.
            Segundo Gramigna (2007), pode-se observar que o indivíduo utiliza várias formas de jogo ao longo do dia, sendo que para a ela,  toda habilidade e capacidade humanas provêm do jogo. Ela utiliza uma analogia sobre o jogo dos músculos e dos membros para afirmar a importância dele na vida humana, em todas as circunstâncias.
            Para a autora, as regras existentes em todo jogo são implicitamente aceitas tão logo o iniciemos, e que ao fazê-lo deixamos o mundo real exterior, e passamos a ter contato com nossa “escala interna de valores”. Voltando a ser criança com a magia do lúdico, entramos em contato com nossa verdadeira essência.
            Em um passeio pela História antiga, Gramigna (2007) reforça a importância do jogo desde a Antiguidade, como surgiram diversas brincadeiras e como se supõe sua adaptação até os dias atuais, além de sua importância tanto antigamente,como agora quando se constituem como ferramentas em programas específicos nas áreas educacional e empresarial.
            A autora define o jogo como uma atividade espontânea com mais de uma pessoa e com regras específicas que determinam o vencedor. O jogo é realizado quando se tem vontade. Mesmo quando se joga com o computador, implica-se uma segunda pessoa, no caso o idealizador do jogo. Outra afirmação interessante da autora é que durante um jogo podemos observar as reações e comportamentos dos participantes, condizentes com suas personalidades.
            Gramigna (2007) ensina que numa simulação é possível reproduzir o cotidiano, configurando como  a melhor maneira para treinar pessoas, sendo muito utilizadas nos treinos com profissionais das empresas áereas, sejam espaciais ou comerciais. Outros tipos de simulados permitem avaliar as competências e habilidades dos profissionais.
            Dessa forma, o jogo simulado permite identificar as características do jogo real. A autora adverte, no entanto, que enquanto o simulado pode ser visto como é realmente - uma simulação – o real  possue sanções que podem levar o indivíduo a perder, inclusive, o emprego. No jogo simulado, principalmente na área da educação, os indivíduos são encorajados a novas tentativas, configurando então como aprendizagem.
            Na área empresarial, o jogo atende situações específicas desse segmento, e assim como no jogo simulado irá aplicar atividades aos grupos que empenham tarefas ligadas ao funcionamento das empresas, testando sua capacidade. As tomadas de decisões num jogo simulado por um grupo de uma empresa, assemelham-se às que devem ser tomadas no cotidiano. O treino irá contribuir para o aperfeiçoamento da performance do grupo numa situação real, na empresa.
             Além disso, segundo a autora, essa situação, irá proporcionar uma melhora nas relações sociais dos indivíduos, contribuindo com o “desenvolvimento e a conscientização da necessidade de mudanças nos comportamentos e atitudes individuais”.
             Gramigna (2007) sugere que, numa empresa o jogo deve reproduzir situações análogas às do dia a dia dos participantes, seus papéis devem ser claros, havendo três tipos de deles: papéis estruturados em que os jogadores recebem orientações detalhados sobre  o comportamento adotado; papéis semi-estruturados, quando o facilitador explica genericamente sobre o exercício de cada um; e papéis desestruturados, quando o facilitador apresenta um problema e o grupo distribue papéis e tarefas.
             Implica-se que no jogo empresarial todos devem entender bem as regras e o facilitador  deve usar material de suporte para isso.  As regras devem ser bem claras, com linguagem acessível, para que as determinaçõs sejam bem entendidas.
            Na interpretação de Gramigna (2007), o jogo nas empresas deve ser atrativo e envolvente, sendo que o facilitador deve criar uma introdução que estimule a imaginação dos participantes. Assim, o próprio faciltador deve ter uma postura animada, com tom de voz vibrante, fitando todos os presentes, movimentando-se e interagindo com a turma.
             Em seu estudo Gramigna (2007) apresenta os jogos de comportamento em que a ideia   central permite trabalhar temas voltados às habilidades comportamentais; jogos de processo, que enfatizam as habilidades técnicas; jogos de mercado, que reúnem as mesmas características dos jogos de processo, diferenciando, entretanto, por serem direcionados a atividades  que reproduzem situações de mercado, como concorrências e relação empresa-fornecedores, por exemplo.
            Os jogos de processo e os de comportamento citados anteriormente, diferem-se entre si, sendo que os jogos de processo enfatizam produtos. Objetivam principalmente a preparação técnica  do grupo para operacionalizar ações.
            Finalmente, Gramigna (2007), em sua explanação,   preconiza que o ser humano é indivisível, e mesmo em um jogo trará consigo sua sensibilidade e emoção e sua habilidade técnica. A autora cita outros autores que definem o jogo, como Huizinga, por exemplo que defende a ideia  do jogo como  “fenômeno fisiológico ou reflexo psicológico” e que o elemento cultural  deve ser levado em consideração. Outras áreas são citadas pelo autor que percebe a sua relação com o jogo, como a guerra, o conhecimento, o direito, a poesia e a filosofia, para  afirmar sua existência desde a antiguidade até os dias atuais.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

GRAMIGNA, Maria Rita. Jogos de Empresa / Maria Rita Gramigna – 2,ed. – São Paulo: Pearson Prentice Hall 2007.


DURKHEIM, O FATO SOCIAL E A DIVISÃO DO TRABALHO



            Durkeim foi um dos fundadores da Sociologia alcançando o reconhecimento de outras ciências sobre a existência dessa. Isso possibilitou a construção de mecanismos de monitoramento da sociedade subsidiando as pesquisas nos campos da Sociologia e Antropologia. A partir daí, a análise dos fenômenos sociais chegou às  áreas como Medicina, Direito, História e outras. A sociologia cumpre seu papel  na transformação da sociedade propiciando uma evolução.
            A tônica da obra de Durkheim foi atribuir o critério científico ao conhecimento social, sendo que esse conhecimento deve considerar as diferenças que vigoram nas diversas realidades de nossa sociedade. Considera-se que a ordem social estabelecida não  permite  uma generalização, mas  possibilita o entendimento da dinâmica social em suas especificidades.
            Para Durkheim os fatos sociais devem ser tratados como coisas, ou seja determinado acontecimento, mesmo comum, mostra a constituição da sociedade,  possibilitando o seu estudo. O autor ressalta que não há afirmação de que os fatos sociais  sejam coisas materiais, mas que constituem coisas ao mesmo título que as coisas materiais, porém de formas diferentes. Os fatos sociais na visão de Durkheim, fazem parte dos fenômenos sociais, integrando-se como um todo. Podem ser dissecados, desmembrados, entendidos. Como o ato de estudar, por exemplo. Estudar é um fato social e pertence ao fenômeno social qual seja, a escola. O fenômeno social por sua vez, não pode ser decomposto. A escola é formada por diversos fatores que não podem ser desmembrados.
            Da mesma forma explica Durkheim, que os fenômenos sociais estão presos à sociedade e somente nela podem ser observados, tratando-os como coisa material, afim de compreender os elementos que influem na sua condição. O autor entende que os fenômenos sociais somente acontecem coletivamente, e consideram no seu estabelecimento a coerção e coesão social na condição de solidariedade em que são  realizados.
            A solidariedade, por sua vez, na interpretação de Durkheim é a permissão entre os sujeitos para a existência dos fenômenos. Não se pode afirmar, no entanto, que os indivíduos têm consciência do alcance do que fazem, ou seja, nem todos refletem sobre os próprios atos, a dimensão que suas ações alcançam.
            No caso da Educação, fatos interligados geram fatores para que ela ocorra. Sendo assim,  os condicionantes não se limitam aos agentes diretos, indo além do ambiente e das relações que se estabelecem dentro da escola. A educação resulta de um fenômeno social complexo, mais intenso e amplo. Importante entender que as relações que mantém a escola estão baseadas na “construção solidária” de todos os elementos que dela participam, e de que fala o autor. E que outros fenômenos vão produzir os sujeitos que compõem o mundo escolar. Todos os fatos que acontecem em torno da educação, e que por sua complexidade e quantificação  torna dificil relacionar, contribui para o entendimento de que a educação é um fenômeno social e que os elementos condicionantes  são fatos na condição material.
            Durkheim ensina que o entendimento da divisão do trabalho social é premissa para compreender os fenômenos produzidos pela sociedade. Para ele essa divisão atingiu uma complexidade tamanha que vem provocando conflitos entre os fatores que a compõem.
            Ressalta o pensador que a compreensão da ordem social, e dos fatos por ela produzidos, não pode ter como critério a individualidade e particularidade dos sujeitos, pela divisão social do trabalho. Isso que dizer que na sociedade industrial em que vivemos,  aumenta cada vez mais o  trabalho coletivo para atender a todas as necessidades crescentes  dos indivíduos.
            Dessa forma, não é possível observar de forma particular esses elementos, segundo o autor, que considera ser impossível enumerar a quantidade de pessoas que realizam atividades em nossa vida diária. Sendo assim, não é possível observar um comportamento padrão da vida social. Isso acontece mediante as condições de  todos e de cada um, gerado por um organismo formado por todos esses elementos de uma maneira solidária.
            A solidariedade pode ser entendida como o resultado dos fatores que interligam a vida humana. Nesse caso, ser solidário implica em estar integrado em relações estabelecidas pelas instituições sociais que compõem a sociedade. Sendo que o homem é um ser social, fazendo parte, portanto, da coletividade, e busca o sentido da própria existência dentro dela.  Porém, é a sociedade, com seus fenômenos sociais  que determina a individualidade. Significando que a sociedade concede ao homem integrar-se ao todo.
            Em sua obra, Durkheim esclarece que a Psicologia estuda o comportamento individual e a Sociologia tem como objeto de estudo o fato social. Entende-se que, segundo Durkheim, a psicologia observa realmente o comportamento individual, conquanto o fato social somente surge como resultado de fatos específicos produzidos pela sociedade, como um todo, e não de parte dela, ou seja, seus membros. O autor ainda explica que os fenômenos sociais obedecem normas como as dos fenômenos naturais, sendo necessário compreender o ambiente em que acontecem, as relações que os  sujeitos envolvidos favorecem, e os fenômenos relacionados.
            Durkheim estabelece haver dois tipos de solidariedade, sendo uma o ponto que liga o indivíduo à sociedade, sem intermediário e é denominada “solidariedade orgânica”;  a segunda, mais complexa,  é entendida nas relações sociais da divisão do trabalho social em que o indivíduo é apenas um componente, sendo que, aqui, o indivíduo depende da sociedade porque depende das partes que a compõem.
            O autor ainda explica que nas sociedades primitivas o sentimento de pertencimento e a fusão entre as crenças sociais e particulares são muito fortes, e se expressam na vida social de cada um e também na coletividade. Nas sociedades primitivas um indivíduo exerce várias funções o que não é possível na nossa sociedade. Enquanto as sociedades primitivas são vistas como “mecânicas”, a sociedade em que vivemos são consideradas “orgânicas”.
            Durkheim acrescenta que além dessas características, o dinamismo da sociedade apresenta a coesão e a coação. Sendo que a coesão implica numa ação unificada de diversos agentes com um mesmo objetivo. Exemplifica-se com as ações de um movimento de trabalhores que reivindicam direitos.
            Para explicar a coação, o autor utiliza o exemplo de uma sala de aula em que o professor e alunos estão unidos na prática educativa para o desenvolvimento de um conteúdo, havendo a coesão. Um aluno que tentar a indisciplina será coagido pelos colegas e pelo professor.
            Fatos como os exemplos podem ser observados em todas as instituições sociais. Durkheim argumenta que nossa sociedade é constituída de uma quantidade enorme de funções estabelecidades para atenderem as necessidades indviduais e coletivas. O autor ainda reforça que a divisão do trabalho social é a mais importante solidariedade entre os fatores sociais e, portanto deve ser valorizada. Enquanto outros valores podem se transformar e mudar de sentido, o trabalho deve ser preservado, para que não se coloque em risco a sociedade.

Lécia Freitas

           

terça-feira, 17 de abril de 2018


Não se arvore em verdades particulares, em rancores sem ressonância, em credos mal entendidos, para legitimar o negativo que existe em si. Hipocrisia é feio. Eu estou como a moça do Chico: na vida.

Lécia Freitas


Faz tempo esperei sua ternura,
E seu olhar como daquele
Faz tempo já não tenho suas mãos
E seus versos me falando das coisas que gostaria
Das minhas, digo que o tempo continuasse
Como era. Sinto a nostalgia funda do que houve
E do que não houve sinto pena
Imagino o que foi, na ponta dos dedos
Meus, estão aqui. Os seus apenas imagino
Tanta coisa, não dá para inventar mais
Foram embora. A tristeza, essa ficou.



Lecia Freitas

Se tens um amor pra esquecer
Nao esqueça
Antes, procure lembrar sempre
Deixe-o dias após dia no peito
E à noite coloque-o do lado da cama
Durma com ele, sonhe com ele
Traga-o em si, onde for
Nao permita que cristalize em si
A poder da saudade
Faça-o fluído
Ate que escorra
Em todos os espaços
Nao o negue nunca
Antes, grite-o ao mundo
Faça-o sentir a força desse sentimento
Nao o sufoque dentro do coração
Nem o limite ao contorno da alma
Nao o encarcere em emoções menores
Melhor que voe livre
Treinando caminhos outros
Em própria vontade
Nem pense que poderá defini-lo
Em palavras doces ou versos dúbios
Nao o fará. Estará subjugado e tão desalentado
Enquanto esse amor será o senhor de seu tempo
E domínio de suas horas
Ao contrário, permita-lhe
Que cresça, se ele exigir
Alimente-o tanto até que farto
E enfadonho, esteja saciado
Recusando qualquer oferta
Mais que tudo, transborde-o em carinhos
Ate que se canse
E se vá por fim
para todo o sempre.

Lecia Freitas