quinta-feira, 26 de junho de 2014

MODERNISMO

Principais objetivos estéticos dos modernistas quando da Semana de Arte Moderna:
  • Renovar o ambiente artístico e cultural da cidade;
  • Romper com o tradicionalismo (parnasianismo, simbolismo e a arte acadêmica);
  • Libertação estética;
  • Experimentação constante;
  • Independência cultural do país.

Apesar da força do movimento literário modernista, a base deste movimento se encontra nas artes plásticas, com destaque para a pintura.

Principais características de cada geração modernista:

PRIMEIRA GERAÇÃO (1922/1930
Principais características:
  • Pluralidade de linguagens e perspectivas;
  • Irracionalismo: negação do racionalismo burguês;
  • Influência das vanguardas européias;
  • Principal característica formal: destruição de todo academicismo (nacional e importado), a métrica, a rima, a linguagem de dicionário, a linearidade do discurso, o sentimentalismo romântico, o racionalismo realista- naturalista.
  • Principal característica quanto ao conteúdo: nacionalismo ufanista ( Verde-amarelinho e Grupo da Anta) e crítico (Pau Brasil e Antropofagia);
  • Verso livre;
  • Associação mais analógica que lógica entre as palavras;
  • Preferência por substantivos e verbos, em vê de adjetivos e advérbios;
  • Blague (poema-piada), bom humor, ironia;
  • Mistura entre prosa e poesia;
  • Utilização de linguagem coloquial;
  • Temáticas tradicionalmente consideradas não poéticas, etc.

SEGUNDA GERAÇÃO (1930/1945)
Principais características:
  • Prolonga e aprofunda as propostas e realizações de 1922;
  • Concilia elementos da tradição e elementos de modernidade;
  • Poesia: Poetas de cosmovisão;
  • Prosa: Neorrealismo.
  • Engajamento dos escritores nas questões sociopolíticas de seu tempo.

TERCEIRA GERAÇÃO (1945/1964)
Principais características:
  • Retrocesso  em relação às conquistas de 1922;
  • Volta ao passado: revalorização da rima, da métrica, do vocabulário erudito e das referências mitológicas;
  • Passadismo, academicismo;
  • Introdução de uma nova cultura internacional nas Letras Brasileiras;
  • Literatura: constante pesquisa de linguagem + senso do compromisso entre a arte e realidade, engajamento;
  • Síntese de ambas as gerações: experimentalismo + maturidade artística; nacionalismo + universalismo

O modernismo em João Guimarães Rosa, embora seja de proposta regionalista, assume caráter universal. Argumenta-se a favor dessa afirmativa:
            Em Grande Sertão: Veredas, os conflitos existenciais vividos no cotidiano de Riobaldo, personagem central da obra, ao mesmo tempo que se confundem com a imagem dos jagunços, evocam também a imagem de qualquer homem em qualquer lugar do mundo. O local e o universal são vozes de uma mesma orquestra perfeitamente afinada. No desenrolar de sua travessia, experiências e conflitos universais na sua interação com as áridas veredas sertaneja, bem como com a matéria vivente da região, desencadeando andanças entre o mundano e o divino, o amor e o desejo, o justo e o injusto, o certo e o errado, o medo e as lutas sangrentas, entre o silêncio e a necessidade de verbalizar sua história. Mas não se pode perder de vista que a matéria prima responsável pela concepção desse sertão tão sedutor e peculiar é a palavra. A composição dos personagens e dos cenários é feita através da palavra. As experiências e pensamentos relatados só ganham sentido a partir da linguagem. Assim como no Gênesis, em Grande Sertão: Veredas, o ato criador é consumado pelo verbo.
            Nessa obra, a nossa realidade particular brasileira se transforma em substância universal, uma vez que nela, Guimarães Rosa elabora esteticamente questões universais que ocupam e afligem o ser humano, nos aspectos já citados. O autor não vê o sertão nem de fora nem de dentro; não descreve os personagens, os atos e espaços como natureza morta. O autor recria o sertão e o representa nas relações sociais e nos dramas humanos e elementos imaginários. Embora os indivíduos sejam singulares, vivendo situações também singulares, as ações e reações diante dos desfechos criados, inserem-se na realidade socialmente determinada, adquirindo caráter universal, porquanto, todos os sentimentos e emoções vividos e relatados pelo personagem-narrador, Riobaldo, são passíveis a qualquer ser humano.
            Nesse movimento de ação e representação, o sertão passa a ser o mundo.

Explicações sobre a proposta narrativa de Perto do Coração Selvagem de Clarice Lispector:
Escrito em terceira pessoa, Perto de Coração Selvagem não possui um narrador onisciente, que sabe tudo a respeito das personagens, como ocorre normalmente nos romances psicológicos. Trata-se, em vez disso, de um narrador que se identifica com a protagonista, acompanhando minuciosamente em sua busca interior, em sua procura de significações para o mistério da vida e de si mesma, em que se encontra a temática de sua obra. Assim, a mistura entre a primeira e a terceira pessoas verbais, que observamos em “...Estava alegre nesse dia, bonita também. Um pouco de febre também. Por que esse romantismo: Um pouco de febre? Mas a verdade é que tenho mesmo: olhos brilhantes [...]”, mostra por meio do discurso indireto livre, que narrador e personagem se confundem, nos monólogos interiores, no fluxo de linguagem,  numa sinfonia de vozes que pode ser de Joana, do narrador, ou mesmo de Lispector, a autora implícita na obra. Ao utilizar a primeira pessoa do plural, ela parece provocar o leitor, povoá-lo de uma necessidade de autoconhecimento que impregna cada página do romance. “Durmamos de mãos dadas”.
            Em outra passagem, em um parágrafo: “Piedade é minha forma de amor. [...] Vamos chorar juntos [...] Por que ela está tão alegre? [...]” Há pluralidade de vozes que se confluem e se justapõem, como que tentando encontrar um caminho entre o eu e o outro, entre a personagem e o narrador que relata ou através de quem Joana se relata. E também entre o autor e o leitor, cujo chamado ao universo de Lispector é perceptível nesses exemplos.
            No capítulo “O Banho”, um dos mais belos da obra, Joana vive uma experiência de transe, de êxtase metafísico, a partir da percepção de seu corpo imerso na água e por ela banhado. Ali, a vertigem de degustar até o limite a “alegria do corpo”, a descoberta da feminilidade, deflagram na personagem uma espécie de visão do sagrado, de “revelação epifânica”.

Comentário sobre o sincretismo presente em Tenda dos Milagres, de Jorge Amado:
            Sincretismo religioso é a mistura dos Santos da religião católica com os Orixás do Candomblé. Essa religião trazida pelos africanos durante o período de escravidão, no Brasil, era duramente reprimida pelos colonizadores que obrigava seus seguidores a praticarem o catolicismo, professado pela Coroa Portuguesa. O sincretismo, então, é a maneira que os escravos encontraram para continuar a praticar os ritos religiosos de sua cultura sem que os seus donos percebessem. Por causa disso, essa religião é cercada de mistérios, o que provoca equívocos  e medos naqueles que a desconhecem. Já no século XX, essa repressão é culminada com ações políticas que determinam o fechamento dos terreiros onde são realizados os ritos do Candomblé. Jorge Amado, em sua obra, denuncia o preconceito e a violência contra os africanos e seus descendentes, ao mesmo tempo em que populariza os deuses e elementos do candomblé, valorizando a cultura africana.

Lécia  Freitas

Trabalho avaliativo apresentado à disciplina Literatura Brasileira do Curso de Letras da Faculdade de Pará de Minas. Professora Drª Ana Paula Ferreira.
Créditos: Total, Excelente!

           


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