quinta-feira, 30 de abril de 2015

VEROSSÍMIL

Adélia Prado

"Antigamente, em maio, eu virava anjo.

A mãe me punha o vestido, as asas,

me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:

'Canta alto, espevita as palavras bem'.

Eu levantava vôo rua acima."



Dona Doida

Adélia Prado

Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.

Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.

Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois.  Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha, 
com sombrinha infantil e coxas à mostra. 

Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.

Só melhoro quando chove.







A Bolsa Amarela


Título: A bolsa amarela
Autor(a): Lygia Bojunga
Editora: Cia das letras
Número de páginas:140

Editora: Skoob
Ano: 1998

RESENHA

A Bolsa Amarela é a história de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela ) – a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação – por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio “criança não tem vontade” – essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa.


A Bolsa Amarela é um livro da brasileira Lygia Bojunga, que demonstra que os livros infantis são ótimos também para adultos.Este é aquele tipo lindo de filme que trás ensinamentos e lições de vida tanto para crianças de 8 como para crianças de 80 anos. Quem narra a historia é Raquel, uma garota que tem três grandes desejos: Ser escritora, ser menino e ser adulta. Esses desejos são tão grandes que ela acaba tendo de arrumar um lugar para esconde-los e assim surge a bolsa amarela, em que ela esconde desde seus desejos até mesmo um Afonso, um galo saido de uma história escrita por ela mesma. Volta e meia os desejos acabam ficando maiores e por isso ela passa por maus bocados no decorrer do livro.
Ao se analisar o contexto em que a literatura infanto-juvenil se desenvolveu, percebe-se que nele a função pedagógica sempre esteve muito presente. A ação educativa do livro destacou-se, carregando consigo a função de dirigir e orientar a criança, quase sempre sem a possibilidade de decidir e escolher o que ler. No Brasil, a partir de 1970, houve uma produção de livros para as crianças e para os jovens, voltada para questionamentos dos valores sobre os quais estava assentada a sociedade. Assim, formou-se uma literatura inquieta que focava as relações entre a criança e o mundo em que ela vivia. Dentre os autores dessa época, Lygia Bojunga Nunes, apreciada pela sua originalidade de temas e pela capacidade de criar personagens que derrubam tais valores burgueses, carregados de preconceitos e tabus. Não só pelos temas que aborda – a morte, o suicídio, a família – Lygia Bojunga também se destaca pela originalidade com que explora as variações de uso da língua, conforme exemplificado no segundo capítulo. Com o trabalho, mostrou-se a riqueza de abordagem literária que se encerra no interior de A bolsa amarela, seja a partir de Raquel ou a partir da análise do processo de busca de identidade pelo qual passa até sentir-se feliz consigo mesma. É uma história cujo final não é o já conhecido nos contos maravilhosos, “felizes para sempre”, mas fica aberto; há apenas a certeza de que a menina aprendeu a conviver com as vontades e amadureceu como pessoa. 




segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sobre a Inconfidência Mineira, Tiradentes, História do Brasil e o povo brasileiro

Há pouco ouvi o Jornal pela Rádio Santa Cruz, como faço sempre. E uma reportagem chamou-me a atenção. O repóter foi às ruas entrevistar as pessoas sobre o feriado de amanhã, quem é o "homenageado" e o porquê. A maioria desconhece e outros não sabem totalmente. Triste, como muita coisa por aqui. Um povo que desconhece a própria História não tem nada que o habilite a criticar, a protestar, a reinvindicar. É vergonhoso como o brasileiro fala do Brasil, no entanto, muito mais, porque o que se pode constatar é que falam sem procedência, sem autonomia, absorvendo ideias alheias, sem discernimento algum.





Panteão da Inconfidência Mineira - Museu da Inconfidência
Ouro Preto
Imagem: cultura.gov.br

      Considero oportuno esclarecer a diferença entre os termos inconfidência e conjuração. O Dicionário Aurélio define conjuração como uma “conspiração contra a autoridade estabelecida”, enquanto inconfidência é “falta de fidelidade para com alguém, particularmente para com o soberano ou o Estado”. 
As duas definições, portanto, podem tratar de um mesmo evento, dependendo do ponto de vista. Para os portugueses, os fatos ocorridos em Minas Gerais significam uma inconfidência, enquanto para os brasileiros trata-se de uma conjuração. Em minha opinião, a expressão correta para este episódio na História do Brasil é Conjuração Mineira, mas também será usada a definição Inconfidência Mineira, pela popularização da expressão. 

Mais sobre a Inconfidência Mineira aqui

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Cecília Meireles

Cântico II 

Não sejas o de hoje. 
Não suspires por ontens... 
não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu.

Cecília Meireles
, em Cânticos




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Letramento


LETRAMENTO: ONDE, COMO, E POR QUE FOI CRIADO ESSE TERMO

Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito ao indivíduo que somente aprendeu a ler e escrever, não diz que é o que adquiriu o estado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita, e que responde de maneira satisfatória as demandas das práticas sociais. Ainda ampliando a abrangência da alfabetização, podemos analisá-la à medida que essas reproduz a “formação social existente, ou como um conjunto de práticas culturais que promove a mudança emancipadora” (DONALDO, 1990, p.10).
Leda Verdini Tfouni, em Letramento e Alfabetização (1995), afirma que a alfabetização, por muitas vezes, está sendo mal entendida. Há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual das habilidades requeridas para a leitura e escrita, ou como um processo de representação de objetos diversos, de naturezas diferentes. O mal entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim, e, pode, portanto, ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais.
Com isso, fica subentendido, pelo aspecto sociointeracionista, que a alfabetização do indivíduo, é algo que nunca será alcançado por completo, não há um ponto final. A realidade é que existe a extensão e a amplitude da alfabetização no educando, no que diz respeito às práticas sociais que envolvem a leitura  e a escrita. Nesse âmbito, muitos estudiosos discutem a necessidade de se transpor os rígidos conceitos estabelecidos sobre a alfabetização, e assim, considerá-la como a relação entre os educandos e o mundo, pois, este está em constante processo de transformação.
E o indivíduo para ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar, através da atualização individual, o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento. Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização, pelo contrário, sabemos que todo indivíduo possui, de alguma forma, níveis de conhecimento. E, isso, foi muito bem discorrido por Paulo Freire.
O ato de ler e escrever deve começara partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o  mundo, coisa que os humanos fazem antes de ler  a palavra. Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro  mudaram o mundo, depois revelaram o  mundo e a seguir escreveram as palavras. Esse é um ponto de suma importância para aqueles que  pretendem despojar-se dos restritos e incisivos conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais.

Mas, afinal, por que e para que surgiu o que denominou letramento?

Por todo o tempo em que já vivemos como uma sociedade grafocêntrica (sociedade centrada na escrita), têm-se conhecimento sobre a problemática da falta do saber ler e escrever surgindo o “analfabetismo”.
Mas, observou-se que para o estado/condição daquele que sabe ler e escrever, e, que responde de maneira ampla e satisfatória as demandas sociais fazendo uso de alguma maneira da leitura e escrita, ainda não havia uma denominação. Mais tarde isso se fez necessário devido à constatação de uma nova situação: de que não basta apenas o saber ler e escrever, necessário é saber fazer uso do ler e do escrever, saber responder à exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz.  Então, o nome letramento surgiu mediante a esta nova constatação.
O letramento é um fenômeno de cunho social, e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social. Ele é o resultado da ação de ensinar e/ou de aprender a ler e escrever, e denota estado ou condição em que o indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de escrita.

Letramento e alfabetização – onde está a diferença?

A alfabetização, como já mencionamos, se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo. Enquanto o “letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI, 1995), e ainda, é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita.
Ainda quanto às diferenças entre a alfabetização e letramento é necessário que, esses dois processos estão diretamente ligados, contudo, devemos separá-los quanto ao seu abarcamento, devido suas distinções já mencionadas anteriormente. Há verificações do que a concepção  da alfabetização também reflete diretamente no processo de letramento. Por outro lado, o que também se observa é que, com frequência,  estes dois de maneira confusa têm sido fundidos como um só processo. Essa confusão implica no exercício de um e de outro. Pois, onde entre a alfabetização? E o letramento? Ou, se trabalham os dois simultaneamente?
Se afirmarmos que a alfabetização á algo que não tem  ponto final, então dizemos que ela tem um continuum, e ainda, poderíamos dizer que este é o letramento. Com isso, concordamos que os dois andam de mãos dadas. Não queremos estabelecer uma ordem, ou sequencia, pois já defendemos que todo tipo de  indivíduo possui algum grau de letramento, mesmo que seja mínimo. O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso de conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita, assim ele poderá alfabetizar letrando.
Ao saber de algumas distinções básicas desses dois termos poderíamos, também, levantar questões sobre as desigualdades de alfabetizado para letrado. Uma nota no livro Letramento: um tema em três gêneros de Magda  Soares (2003, p. 47) faz um apanhado, sobre o assunto, visto de uma maneira prática e real. O texto exemplifica como um adulto pode até ser analfabeto, contudo pode ser letrado, ou seja, ele não aprendeu a ler e escrever, todavia, utiliza a escrita para escrever através de outro indivíduo alfabetizado, um escriba, mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto, logo, ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar, mesmo que seja carregado de suas particularidades.
Ele demonstra com isso que conhece, de alguma forma, as estruturas e funções da escrita. O mesmo faz quando pede para alguém ler uma carta que recebeu, ou texto que contém informações importantes para ele: seja uma notícia em u jornal; itinerário de transportes; placas; sinalizações diversas. Esse indivíduo é analfabeto, não possui a tecnologia da decodificação dos signos, mas, ele possui um certo grau de letramento devido a sua experiência de vida em uma sociedade que é atravessada pela escrita, logo, esse é letrado , porém não com amplitude.
Esse exemplo nos remete a outro, muito conhecido, que talvez não tenha sido percebido por quem o  assistiu, é a personagem de Fernanda Montenegro no filme Central do Brasil de Walter Salles, que fez  uso de sua capacidade de ler e escrever, uma profissão, a de “escriba”, já quase desconhecida, em que a personagem escrevia correspondências para pessoas analfabetas em troca de dinheiro. Os indivíduos que a usavam como ferramenta, para se envolver em uma prática social, a de se corresponder, mesmo que indiretamente, utilizavam os códigos da escrita. E, de forma peculiar a sua condição eles demonstram possuir características de letrados.
Ainda na nota de Magda Soares (2003, p. 47) eles também exemplificam o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com a escolarização, e que não saiba ainda ler e escrever, porém, tem contato com livros, revistas, ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas, presencia a prática da leitura, ou da escrita, e a partir daí também se interessa por ler, mesmo que seja só encenação, criando seus próprios textos “lidos”, ela também pose ser considerada letrada. E ainda, há casos de indivíduos com variados níveis de escolarização e alfabetização que apresentam níveis baixíssimos de letramento, alguns “quase” nenhum. Esses são capazes de ler e escrever, contudo, não possuem habilidades práticas  que envolvem a leitura e a escrita: não leem revistas, jornais, informativos, manuais de instrução, livros diversos, receita  de médico, bulas de remédios, ou seja, apresentam grandes dificuldades para interpretar textos lidos, com também podem não ser capazes de sequer  escrever uma carta ou um bilhete. Todavia, gostaríamos de destacar que nessa nota acima mencionada diz que esse tipo de indivíduo pode ser uma pessoa alfabetizada, mas não é letrada; nesse ponto divergimos, por acreditarmos que a responsabilidade de uma pessoa alfabetizada possuir grau zero de letramento não exista em se tratando desse viver em uma sociedade grafocêntrica.
Com tudo isso, há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento, e estão eles ligados  às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social.

Sociedade letrada/iletrada – indivíduo letrado/iletrado

Há uma definição única e restrita quanto ao conceito de sociedade letrada/iletrada, bem como indivíduo letrado/iletrado?
Os dicionários da língua portuguesa definem os vocábulos letrado e iletrado, por exemplo, no dicionário Aurélio o verbete letrado é definido como “que ou quem é versado em letras; erudito”. No entanto, iletrado “que ou quem não tem conhecimentos literários; analfabeto ou quase”. Mediante essas definições percebemos que esses adjetivos não têm relação com o sentido do letramento, pelo qual estamos tratando. Os termos que, normalmente, são abordados em trabalhos sobre o letramento não se assemelham ao dos dicionários, e ainda, também, poderíamos considerá-lo como novos vocábulos.
Vimos, anteriormente, que devemos analisar  bem antes de aplicar o termo letrado, e principalmente,  iletrado. No nosso ponto de vista, que necessariamente é o mesmo da autora, do livro Letramento e Alfabetização , de Leda Verdini Tfouni, o termo “iletrado”, bem como “iletramento” é impraticável, no que diz respeito à sociedade tecnologizadas..
Ela registra, em sua obra,  algumas passagens de Ginsburg (1987), dentre elas a história de um homem que viveu no século XVI chamado Menochio que foi perseguido, torturado e condenado à morte porque suas ideias foram consideradas ofensivas e cheias de heresias. Ele pertencia à uma classe subalterna, mas sabias ler e escrever, o que não era comum naquela época.
Comenta a autora que Menochio nãofoicondenado apenas pó saber ler e escrever, mas sim, por fazer suas interpretações dos textos  bíblicos e da religião, como também particularizou releitura dos mesmos textos com “materialismo elementar, instintivo, das gerações de camponeses”, foi isto o que fomentou uma sumária perseguição por parte da inquisição.
Achavam eles que, só os eclesiásticos católicos detinham o poder de interpretação da Bíblia Sagrada. Ele, assim, foi considerado perigoso porque entendeu que quem tivesse a capacidade de domínio e transmissão da cultura escrita teria o poder. A linguista comenta que essa história demonstra como o termo !letrado” não pode ter um sentido único.
A partir disso, é que a autora conclui  e propõe que não deve ser usado o termo “iletrado”, para dizer que um indivíduo não está num estado pleno de letramento. Afinal não seria adequado a utilização do mesmo, em  uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada, centrada na escrita, pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. Por isso, acredita-se que é inconveniente afirmar que existe um “nível zero” de letramento, não há veracidade nessa afirmação. Então, o que se propõe é o uso de termos próprios, do tipo: níveis ou graus de letramento. Levando assim em consideração o que Paulo Freire muitas vezes insistiu em sua pedagogia “de que a leitura de mundo precede a leitura da palavra, e ainda “o ato de aprender a ler e escreve deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os humanos fazem antes de ler a palavra”. Isso quer dizer que o indivíduo não é um depósito vazio e zerado antes da alfabetização, e ali,nós, educadores, estaremos enchendo-o com informações  mecânicas e institucionais, através de uma escolarização. Ele já possui sua peculiar capacidade de leitura dentro do seu contexto social para sobreviver em meio ao grupo em que vive. A alfabetização com a prática do letramento, trará ao indivíduo capacidades , competências, habilidades diversas para que este se envolva com as variadas demandas sociais de leitura e escrita.

O papel do educador no letramento como “professor-letrador”

Paulo Freire afirma que para o educador, o ato de aprender “é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. Essa constatação não está relacionada somente ao educando, pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados, lançando-se a novos saberes, e isto, resulta em mudanças de vários aspectos, como  também gera o enriquecimento tanto para o educador quanto para o educando, que com certeza lucrará com esse desenvolvimento. Então, necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação, ou seja, “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática” e, “quanto mais inquieta for uma pedagogia, mais crítica ela se tornará” (FREIRE, 1990). O mesmo afirma que a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas, pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos., nem transmissão de ideias, mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Ao contrário, é uma contribuição no “processo de humanização”.
Processo esse de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e conhecimento para o desenvolvimento humano, e que para isso se torne um instrumento de cooperação para o crescimento de seus educandos, levando-os  a criar seus próprios conceitos e conhecimentos.
O professor de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade, o que certamente gerará novos conhecimentos, e isto, é mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma.
Já mencionamos por várias vezes que o letramento é um fenômeno social: logo, essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele.
 O letramento não está restrito à escola, mas vamos neste trabalho nos ater nesse meio por considerar que cabe à escola, fundamentalmente, levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvam a leitura e a escrita. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada, neste ponto entenderemos que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem.
Para o educador se tornar um “professor letrado” necessário se faz que, primeiramente, obtenha informações a respeito do tema, as dimensões e, sobretudo, a sua aplicação. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigações, que geram   subsídiossuportes.
Entretanto, medrar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida, pois sabemos que alguns desses profissionais, num determindo momento, se colocam em uma posição quase inatingível completos de suas certezas. Porém, se há mutações contínuas na sociedade contemporânea, e essas refletem em todos os setores, inclusive na escola, é lógico que a cristalização dos  saberes do educador é um  equivoco, pois conhecimento nunca se completa, ou se finda, e o letramento é um exemplo claro disso,
Recohecidamente, enfatizamos a importância da aplicação, ou a prática do letramento por parte do professor, e em análise, ainda não finalizada, destacamos alguns passos fundamentais pra o desempenho do “professor letrado”.

1.    Investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados;
2.    planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la;
3.    desenvolver no aluno, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade;
4.    incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita, de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa já que a linguagem é interação e, como tal requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam;
5.    recognição, por parte do professor, implicando assim o reconheciemn to daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico, e respeitar, acima de tudo, esse conhecimento;
6.    não ser julgativo, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a pluraridade de vozes, a variedade de discursos e linguagens diferentes;
7.    avaliar de forma individual, levando em consideração as peculariedades de cada indivíduo;
8.    trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto estima e a alegria de conviver a cooperar;
9.    ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser professor-aprendiz tanto quanto seus educandos;
10. reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização.